quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A CULPA É MINHA

Sempre... Sempre levei culpa de coisas que não tinha nem a menor ideia do que se tratavam, muitas vezes também até tinha ideia, mas não era o culpado, ou pelo menos o único culpado. Parece um pouco coisa de perseguição, mas o fato que hoje até tenho dúvida de coisas que não fiz, se fiz mesmo. Aprontei muito mesmo, dei trabalho para meus pais quando era pequeno, assumo, sempre assumi, pelo menos as minhas "cagadinhas" eu assumi, mas tem coisas que realmente com o passar desses anos tenho dúvidas se foi eu... (risos), Mas uma das histórias eu sempre lembro como o cúmulo da culpa.
Certa vez um pouco antes de sair da praia para voltar para São Paulo, eu disse que queria um sorvete, pois tinha uma sorveteria bem ao lado de onde a gente estava, e minha mãe deu a ideia de pararmos no Rancho da Pamonha, é um lugar que fica na estrada bem próximo a São Paulo, que vende vários produtos principalmente a base de milho, poxa achei legal para caramba... lá fomos na estrada. Era final de um feriadão e entramos em um baita congestionamento, normal para estes dias. Meu pai espertão começou a cortar pelo acostamento o trânsito, e lá vai o português ultrapassando todo o mundo... Do outro lado da pista no sentido contrário vem uma viatura da polícia, e viu o ato infracionário do meu pai, e na hora viraram o carro em sentido que estávamos e vieram atrás, meu pai tentando um golpe de misericórdia voltou para a fila de carros como se nada tivesse acontecido, mas eles já tinham visto, pararam a viatura do nosso lado e mandaram estacionar nosso carro. Minha mãe "cochicha" para meu pai:
-Diz que paramos para o Luís fazer xixi e estavamos voltando tentando achar espaço... (Nossa que ideia genial)
O guarda para do lado do nosso carro, e meu pai foi logo se desculpando:
-Olha senhoire, sei o que deves estar pensando, mas meu filho estava apertado, e dei uma paradinha e estava voltando para fila de carros... sabes como é seu guarda, coisas de criança?!
O guarda ficou olhando sério para a cara do meu pai e disse:
-O senhor é macaco e todo o mundo é banana?!!  - meu pai ficou olhando para a cara do guarda, mas tenho certeza que ele não entendeu nada. (risos).
Bom, não teve jeito, meu pai tomou uma bela de uma bronca e uma multinha, e fora a canseira. Saímos de lá, e vem minha mãe olhando para mim:
-Viu só!!!??? você nem para falar para o guarda que realmente estava apertado! por causa de você seu pai tomou uma multa...

Que??? como assim???? eu? - eu pensava. Bom até pensei mesmo que estava com vontade de mijar e pedi para parar. Só assim poderia entender tamanha acusação.

 Mas o melhor dessa viagem ainda estava por vir. Lembra que falei da tal história do sorvete lá em cima no texto? bom continuamos na viagem... depois de horas, de viagem, e quem já subiu a serra de Santos depois de um feriadão, sabe do que estou falando com relação ao trânsito, chegamos perto do Rancho da Pamonha, já estava noite e meu pai sempre enxergou muito mal nesse horário, quando chegamos próximo a entrada, minha mãe grita para meu pai:
-Antônio a entrada é aqui!!!! - meu pai virou com tudo.
Eu sem entender direito o que estava acontecendo, senti o carro caindo, pois meu pai conseguiu cair com o carro em uma vala, entre a rodovia e a entrada do Rancho da Pamonha, um buraco enorme, e o carro entalou lá, descemos todos do carro e meu pai tentou tirar o carro engatando ré, mas sem chance, a cagada estava feita mesmo. Apareceu um monte de voluntários e com muito custo empurrando,  conseguiram tirar o carro do meu pai, agradecemos todo o mundo, e eu confesso que ainda estava com vontade do tal sorvete mas nem pensei em falar nada aquela hora, porque eu sabia a tensão que estava o momento.

Entramos no carro todos quietos, mas eu já estava com impressão que ia sobrar para mim, porque eu já estava acostumado com essas coisas, e não deu outra... vira minha mãe e diz:
-Você Sr. Luís, podia ter matado todo o mundoooooo!!! com essa história de querer sorvete e  blá blá blá... - as coisas começavam a ecoar na minha cabeça e nem tentei argumentar nada, porque se eu abrisse a boca para falar sobre o cegueta do meu pai, eu ia tomar uma "borduada" na orelha.
Depois por várias vezes que passava ali, via o tal buraco que meu pai entrou, e lembrava do acontecido e sempre das acusações sobre minha pessoa... e pensava que podiam mudar o nome do Rancho DA Pamonha, para Racho DO Pamonha (do meu pai), por não ver o buraco e ainda me culparem, mas isso eu só podia pensar mesmo, porque se eu falasse... meu Deus!
Depois de anos fecharam essa tal vala, mas sempre que passo ali é impossível não lembrar da minha culpa.

Mas essas coisas não são privilégio de fatos que aconteceram em casa, sempre levei culpa de coisas, na escola, na rua, nunca entendi direito esse carma. Por isso já nem sei mais se certas coisas eu realmente não fiz, vai saber né?.
Ainda bem que meu pai não tinha uma Havaiana de pau*** (segue link)


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

CACHORRADA

Sempre gostei muito de cachorros, adorava aqueles seriados e filmes da Lassie, Boomer, Bethoveen entre outros... todos que tivessem cachorros treinados, inteligentes, eu admirava e admiro isso em um cão. 
Fui mordido duas vezes por cães, uma vez estava provocando um cachorro no portão, eu sempre o provocava e o filho da mãe escapou um dia, corri para burro e o desgraçado mordeu meu pé, nunca mais o provoquei claro. E a outra vez estava empinando pipa e fui andando para trás, e não percebi que encostei em um portão de costas, tomei uma mordida na nuca, mas nada mais sério, também comecei a prestar mais atenção para onde eu andava, isso no caso é muito perigoso, já escutei várias vezes casos de crianças soltando pipa na lage de casa e esquecem e cai lá de cima, o meu só foi um corte e um susto.
Eu tive alguns cachorros que marcaram minha vida, o primeiro que tive foi o Kiko, mistura de poodle e vira lata, filho da Pituca que era da minha madrinha, era um doce de cachorrinho, e ficou pouco tempo com a gente, ele pegou Cinomose, e como antigamente não tinhamos as informações que temos hoje e tratamentos veterinários, ele não resistiu. Acordei em uma manhã de domingo com meu pai gritando, levantamos correndo e o Kiko estava deitado  no quintal e eu ainda chamei pelo nome, ele abanou o rabinho e suspirou fundo e se foi.
 Minha segunda cachorra foi a Xuxa, mestiça de pêquines, inteligentíssima, parecia gente, isto foi em Peruíbe, foi dada por uma senhor que não podía mais cuidar, ficamos uns 2 anos com ela, um dia ela escapou e um pastor alemão a pegou pelo pescoço, e ela também não resistiu. Parecia um velório em casa naquele dia, também não era para menos.
Depois dela, da Xuxa,  meu tio Cininho por ver que ficamos muito tristes, nos deu um filhote de uma cachorra dele, que ficava na oficina, esse era o Maradona, nome escolhido em um sorteio em casa, cada um deu um nome e colocamos em um papel, meu pai que escolheu esse nome. Um cachorro muito forte, e de um pelo lindo, uma mistura de pastor com vira lata, quando tivemos que mudar de Peruíbe, íamos mudar para um minúsculo apartamento em Itaquera, e tivemos que dar o Maradona. Voltamos a cidade um ano depois para resolver uns problemas, e fomos visitar o Maradona, a dona já não morava lá e deixou na mão de um funcionário, ele ficou louco quando nos viu, e fomos embora, ficamos conversando com um conhecido a uns 3 quilometros dali, daqui a pouco aparece o Maradona lá, ele escapou e foi pelo faro, então depois disso não tivemos escolha o trouxemos para São Paulo, mas ele veio doente, infelizmente estava com Cinomose também, fizemos de tudo, mesmo sem poder, porque naquela época era complicado as coisas em casa, mas também não teve jeito.
Depois do Maradona ficamos traumatizados e tão cedo não íamos pegar outro cachorro, não dava mais, tinha sido muita falta de sorte com todos eles, sempre fui muito sofrimento perde-los.
 Mas depois que meu pai faleceu, achei que precisavamos de alguma coisa para ajudar levantar um pouco astral de casa, e um rapaz me ofereceu uma Cocker que sua vizinha estava dando porque ela era muito ativa, bom realmente a Diana era o TAZ (personagem de desenho animado) em pessoa, parecia um furacão, com uma energia fora do comum, por mais que andasse, brincasse, ela não se cansava nunca, mas foi o cão em que mais tive intimidade, ela me conhecia muito, antecipava o que eu estava pensando, uma coisa extraordinária, mas ela acabou fugindo e alguém deve a ter pegado, pois com certeza voltaria, essa cachorra era fantástica.  É ela mesmo na foto ao lado.
Fiquei mais uma vez um bom tempo sem querer cachorro nenhum, mas pelo meu amor por esses bichos não resisti, comprei o Luigi, um Schanuzer branco, muito inteligente, mas teimoso e genioso, mas no geral tem ficado muito calmo e submisso, tenho usado técnicas de adestramento e ele tem respondido muito bem.
Os cachorros são coisas divínas, inexplicável seu companheirismo e dedicação para com o dono, ele não sabe o que você é de profissão, quanto você tem de dinheiro, ele quer saber apenas do seu afeto e amizade... nada importa se você é um lixeiro, ou um astronauta... importa é a energia que você transmite a ele. Obrigado Cesar Millan (Encantador de Cães), essa aprendi com você. hehehe. 

Luigi

terça-feira, 20 de julho de 2010

OS MENINOS DO IPIRANGA

Minha família por ter comércio sempre mudou muito de residências, e até de cidades, e o período que considero a minha verdadeira infância foi no bairro do Ipiranga, aqui em São Paulo, metade das histórias que já postei aqui foram vivênciadas lá. Ali viví dos meus 7 anos até os 14 anos, precisamente na Rua Visconde de Pirajá, 339 - Alto do Ipiranga.
Todos os dias a molecada estava aprontando uma, as vezes coisas de minha autoria e planejamento, e outras vezes não. Brincávamos de bolinha de gude, carrinho de rolemã, pega-pega, cela... eram inúmeras brincadeiras, não dá nem para coloca-las aqui. Ali nós éramos cantores, compositores, ciclistas... e etc.

Da nossa turma eram:

Akira (O japonês): Ele por ser mais velho tinha uma certa liderança, muitas vezes atacada por mim, pois não aceitava tal situação e acabava tomando cascudo... Muitas vezes pegávamos minha mobilete e ficávamos mexendo com todo o mundo na rua que passávamos... era muito cómico, até que um dia estava em um Super Mercado com meu pai e um senhor me reconheceu como o arruaceiro da mobilete, e falou um monte para mim.

Zoião (Sidney) : Era sempre motivo de chacota da turma, por usar uns óculos fundo de garrafa. E eu que sempre tive muita habilidade de imitar as vozes, eu imitava a mãe dele o chamando (Vocês viram o Sidney???), e foi muitas vezes motivo de porrada. Infelizmente o Sidney veio a falecer a uns anos atrás em uma briga de bar.

Zé Luiz: Esse era o artista da turma, desenhava, fazia música para brincar com os outros... a última vez que tive contato, ele estava morando na Inglaterra, mas isso já fazem uns anos. Entre os clássicos da nossa turma e ele fez uma paródia da "Pinga em mim" do Sérgio Reis - para "Pinga ni eu" brincando com o pai do Akira que gostava de umas caninhas.

Ricardo: Meu vizinho, passávamos tardes e tardes, inventando alguma coisa... ele estava sempre em minha casa e eu na dele. Certa vez tomei um direto no olho recém operado, depois de uns dias acertei um na dele, e ainda quebrei o vidro do carro do pai dele com um chute... as coisas eram bem leves... Sempre tenho contato com ele, hoje um pai de família.

Rodrigo: Irmão do Ricardo, sempre estava conosco nas brincadeiras. Infelizmente veio a falecer no começo de 2010.

Marquinhos: Esse era meu fiel escudeiro, a maioria das "merdas" ele estava junto comigo, muitos pensavam que éramos irmãos. Certa vez ficamos muito tempo sem se falar por uma cagada que eu fiz, e merece que eu conte:
Atrás das nossas casas tinha uma casa abandonada, e as vezes pessoas desconhecidas invadiam tal lugar, era muito perigoso, e uma certa manhã nós fomos para lá para tirar as telhas do lugar, para evitar que invadissem a tal casa. Eu subi no telhado dessa casa e quando fui descer vi o Marquinhos colocando umas pedras para dificultar minha descida no muro por brincadeira, eu para assustar ele peguei uma telha e fui jogar perto dele, só que quando joguei ele se mexeu e acertei na mosca a cabeça dele... 
Foi um escândalo, por mais que pedisse desculpa ele nunca acreditou que foi sem querer. Mas foi sem querer viu Marquinhos!!!!  mas depois passou e continuamos amigos. (eu sou o de branco na foto, e o Marquinhos de azul)

A turma era muito criativa, foram momentos brilhantes vividos ali... este lugar fica mesmo ao lado onde é hoje a estação de metrô Alto do Ipiranga, que aliás onde eu trabalhei em uma farmácia do Sr. Saito, onde agora é justamente a entrada do metrô... demoliram a farmácia e também a bicicletaria do João que ficava ao lado, ponto frequente das nossas bicicletas.

Memórias... escrevo isso é como voltar lá...

Mas o Marquinhos... foi sem querer mesmo a telha... não esqueça que eu era ainda meio vesgo... O que poderia esperar?

Mapa detalhado do lugar: