segunda-feira, 19 de outubro de 2009

APRENDENDO

Ahhhh minhas férias no interior... Campinas lá pelos anos 80, sempre ia para casa de meus padrinhos passar as férias por lá, momentos mágicos e inesquecíveis, lembro-me de ir primeiramente para uma casa de esquina, uma casa muito legal onde eu brincava com as minhas primas, nesta casa se não me engano, passei uma de minhas férias em Campinas, porque quando estava em São Paulo nos meses seguintes soube que meu padrinho havia comprado uma casa com piscina... Ai contava nos dedos quando iria para Campinas, logo conhecer essa tal casa, mas dessa vez quem veio me buscar foi meu padrinho, depois de quase eu morrer de tanta ansiedade, me pegou lá na lanchonete do meu pai... com sua Brasília branca. Íamos naquela viagem muito felizes, eu, meu padrinho e madrinha, minhas primas Celeste e Adriana e uma amiga delas a Lídia, na viagem a Adriana ia me contando todos os detalhes da nova morada e da vizinhança... de suas novas amizades, Bochecha, Gui, Silvana, Flávia... e etc...
Chegamos já tarde então as apresentações iriam ficar para o outro dia, mas fui logo querer ver a piscina... e estava lá... lógico... com um detalhe que eu não sabia nadar e foi ali que aprendi a dar minhas primeiras braçadas.
Eu amava tudo ali naquele lugar, o cheiro da casa, o cantar dos pássaros, a Pituca (cachorrinha), a Maica (essa eu tinha medo era uma Dorbermann) café da manhã com Ovomaltine... Nossa e como me colocavam comida pela boca...hahahaha, eu era bem magrinho e minha madrinha e padrinho não aceitavam minha magreza.
Mas então amanheceu o outro dia, e iria conhecer a turma, e foi quando tive uma bela surpresa, conheci a tal Flávia... senti uma coisa estranha que jamais eu tinha sentido... Ela era linda meu Deus... parecia um anjo, então como naquela minha idade é comum, comecei a querer me exibir, falar na gíria, contar piadas, faltava dar piruetas ou sair voando, tudo para impressionar ... coisas de criança, apesar que hoje em dia o que vejo em adultos não é muito diferente, o que era diferente era meus hormônios, porque tudo o que eu queria era ficar do lado dela, não queria beijar, abraçar, essas coisas, eu apenas queria sua atenção e companhia... é que a gente muda com o passar dos anos, os hormônios começam a pensar por nós.

Brincávamos muito, época que não tínhamos computador, as brincadeiras exigiam mais contato, mais relacionamento, veio a facilidade da tecnologia e se foi um pouco da infância. Íamos sempre para um campo bem grande que ficava ali perto, jogávamos futebol, volley, empinávamos pipa, e foi numa tarde, que observei a Flávia se esforçando para fazer um laço (estirante) para soltar a pipa, então mais do que de pressa lá foi eu ajuda-la, e fiz o estirante para ela, lembro de ela me perguntar:
- Como você fez isso?
Eu estufava o peito, parecendo que tinha ganhado o prêmio Nobel e saia de perto todo cheio de graça. Claro que eu não ia ensinar, queria é que ela precisasse de mim mais umas 200 vezes..rssss
E aquelas férias foram passando e até que tomei coragem, pedi para minha prima Adriana falasse com a Flávia, dizendo que eu queria namorar com ela, e minha prima me disse que eu que tinha que falar... claro eu era um homem ou um saco de batatas...kkkk
A turma toda saiu de perto e nos deixaram a sós para que eu efetuasse o tal convite a garota, depois de acho que uns 10 minutos sentado do lado dela, olhando para o nada e claro, falando nada... foi de uma vez como se me empurrassem em um abismo.
- Você quer namorar comigo????? – falei tão rápido, que até hoje não sei se ela entendeu realmente o que eu falei, ou ela já sabia o que ia falar, então tanto importava o que eu dissesse... e o silêncio pairou no ar... acho que se ela me dissesse não naquele momento, eu diria tudo bem... era mais importante eu conseguir falar do que ela me dar a resposta
-Vou pensar – disse ela para mim
Ótimo, e agora? Agora é esperar, então o pessoal se aproximou e minha prima ficou conversando com ela, e veio a resposta:
Olha Luís ela aceitou, mas disse para você parar de ser bobo – disse minha prima. Porque como falei, fazia de tudo para aparecer...
Vou para interior passo minhas férias, aprendo a nadar, e ainda descolo uma namorada... olha só... quantas surpresas e descobertas. Mas o engraçado que meu “namoro” com a Flávia não passava de aperto de mão, beijo nem pensar, até acho que ela aceitaria um beijinho meu, mas minha timidez havia criado uma desculpa muito, mas muito justificável... o pai dela, eu morria de medo do pai dela.
Mas como tudo que é bom dura pouco, meus pais vieram me buscar, pois tinham acabado minhas férias, depois de mostrar que eu havia aprendido nadar, contaram a novidade para meus pais, sobre meu namorico, ai foi aquela barulheira na minha cabeça, sem contar as beliscadas na bochecha... olha ta virando homenzinho .... arrrrhhhhh (Nunca faça isso com seus filhos)
Chegou a hora de ir embora e chamaram a Flávia para se despedir de mim... (poxa não precisava...rsss) e todos falando para eu dar um beijinho nela, lembro do meu pai falando:
- Ohhh rapaz dá um beijinho na moleca – e fazendo biquinho para mim...- Meu DEUS
E eu os advertia ferozmente, dizendo que o pai dela é muito bravo... mas depois de muito custo eu dei um beijinho na bochecha dela... finalmente, e fomos embora para São Paulo...
Passaram-se alguns anos, eu cresci, ela cresceu, eu mudei para o litoral e se passaram 7 anos destes fatos. Em uma tarde, em um fim de ano, estava eu e meu primo Hélder lá na praia e fomos para minha casa, chegando em minha casa vejo que tem uma carta, e era de Campinas, era da minha madrinha, fui correndo abrir para ler, ai comecei ler em voz alta, brincando com meu primo, eu fazendo que era locutor, então tomei um dos maiores choques de minha vida, um trecho da carta dizia:

“Espero que esta carta os encontre com muita saúde, e que estejam bem... Aqui estamos muito tristes, pois a Flávia sofreu um acidente de bicicleta, não resistiu e faleceu...”

Foi a primeira vez que perdi meus sentidos e cai no chão, perdi totalmente as forças das pernas... Chorei muito, muito sem parar, li a carta diversas vezes na esperança de ter lido errado, não conseguia acreditar que uma pessoa tão cheia de vida havia a perdido tão brutalmente.

Ela estava com 15 anos, foi andar de bicicleta, entrou em uma ladeira, perdeu o freio da bicicleta e bateu violentamente em um muro que ficava no final desta descida, era uma manhã do dia 15/12/1990.

E foi assim o primeiro grande choque que tive em minha vida... E sempre a vida nos reserva surpresas... e como diz a música do Toquinho:
"E o futuro é uma astro nave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
E depois convida, a rir ou chorar... "

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

MINUTOS DE FAMA

Tarde do dia 17 de março de 2009

Caía o mundo de chuva, ficaram mais de 2 horas chovendo muito, por "sorte" eu estava sem carro para ir para casa quando voltava do trabalho naquele dia, cheguei próximo a Avenida dos Estados a pé, estava um verdadeiro caos, para o lado de São Caetano do Sul não se sabia o que eram ruas ou rio... inacreditavel aquela imagem. Cheguei em meu apartamento olho pela janela e via somente um rio... olho mais além e vejo várias crianças que se refugiaram em cima do teto da escola do lado de São Caetano para fugir do alagamento que tomou conta das classes, pátio e etc.
Como nunca tinha visto tal coisa resolvi filmar, muito mais assustado com o acontecimento do que qualquer outra coisa, não pensei em mais nada. Depois desse registro vi que o zelador do meu prédio estava tirando todos os carros da garagem então resolvi descer para ajuda-lo, pois via que tinha muito mais pessoas olhando do que propriamente ajudando... então fiquei por ali ajudando um casal a tirar a água de dentro do carro, e escutei falar que havia um carro que estava submerso na água do outro lado da avenida, e o pior havia uma pessoa dentro... juro que achei que fosse algum exagero daqueles tipos de pessoas que gostam de fazer o "Zé Povinho" colocar pânico, ainda falaram que chamaram o resgate mas não tinha chegado este a tempo de socorrer...
Subi para o meu apartamento e olhei pela janela para ver se via algum sinal do absurdo que me falaram, mas não via nada, então fiquei assistindo tv e vendo o que tinha acontecido na cidade aquele dia. Neste tempo fui olhar pela janela, então vi o teto do carro no meio do águaceiro, pois tinha baixado o nível um pouco... foi nesta altura que chegou a Guarda Civil Metropolitana para retirar as crianças que estavam no teto da escola, o povo que estava do outro lado da avenida (lado de São Paulo) começaram a gritar para os guardas virem socorrer a vítima que estava dentro do carro, e eles vieram até o muro da escola que estava próximo ao carro, e gritaram para o povo que estava do lado de cá:
-Tem gente aqui dentro do carro? - e o povo afirmou.
Neste momento eu já filmava tudo, e até hoje não sei porque fazia aquilo, pois não achava aquela cena tão importante assim, eu nem bem sabia se tinha alguém ali, pois não tinha visto nada até então, filmava por impulso de filmar mais nada...
Os guardas faziam tentativas para abrir o carro e não conseguiam, quebraram vidros e conseguiram finalmente, e neste momento chega um bote do corpo de bombeiros e retiram o corpo do senhor, pude ver que era um idoso pelas lentes da minha câmera... fiquei muito mal... em ter filmado aquilo, não via utilidade nenhuma nisto... parei de filmar neste momento, pois eu tinha esperança ainda de o homem estar vivo, tive até dificuldade para dormir naquela noite, com imagem daquele corpo sendo resgatado...
No outro dia vim trabalhar com a câmera, pois estava fazendo um trabalho de filmagem da empresa para colocar na internet, e por algumas vezes quis apagar tudo que tinha filmado na noite anterior, mas tive a idéia de mandar para algumas rede de tv a informação do que eu havia captado com a câmera e fiz isto... No outro dia pela manhã recebo uma ligação da Rede Globo de Televisão, interessados em ver o conteúdo do que eu havia filmado... falei que sem problemas poderiam vir pegar e que inclusive não iría cobrar nada pela filmagem, fato do qual fui quase crucificado por todos que eu contava que não tinha cobrado nada, mas eu não achava justo com a vida humana cobrar algo que não tinha nenhum valor para mim... depois soube que poderia ter cobrado até R$ 2.000,00 mas tenho certeza que minha vida não iría mudar em nada, eu que sempre admirei televisão, que quis sempre passar para o lado de lá da coisa, não queria fazer desta maneira, se quisessem usar as minhas imagens que fosse de graça, minha conciência ficará mais trânquila quando pensar na família da vítima.
A tarde recebo uma ligação da repórter Patrícia Taufer dizendo que queriam me entrevistar... QUE???!!! como assim?!!! com um frio na barriga e falando como se fosse normal, disse que tudo bem, marcamos naquele dia no meu apartamento.
Cheguei eles estavam já lá... e fomos para o apartamento, chegamos lá vem aquela montanha de perguntas, que é engraçado como uma coisa que se explica fácilmente vira uma estória...
Resultado? Manchete no SPTV 2ª edição daquele dia... e no Bom Dia São Paulo do outro dia e no Bom Dia Brasil, Ana Maria Braga e ainda uma chamada ao vivo com o jornalista Chico Pinheiro no SPTV 1ª que era ao meio-dia, todos vendo minha carinha na tv... recebi uma cassetada de ligações de gente que nem sabia que existia mais... como alguns segundos que apareci na Globo deu tanta repercussão... Ainda dei entrevista para o Diário do Grande ABC... olha foi legal a repercussão e ver meus amigos de longa data querendo falar comigo, não posso ser hipócrita... mas preferia lógico que este homem saísse vivo... ai seria perfeito... abaixo o video com a entrevista...

o Link da Globo com a reportagem:

http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL1050943-16020,00-IMAGENS+EXCLUSIVAS+MOSTRAM+RESGATE+DURANTE+TEMPORAL+EM+SAO+PAULO.html


Olha as imagens abaixo foram feitas por outra pessoa, que filmou antes do carro afundar:

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O PINTOR

Na famosa casa que meus pais compraram em Peruíbe eu vivi momentos marcantes, nós compramos esta casa e ela estava meio derrubada (mal tratada), e meu pai estava reformando, ele queria dar um trato para depois vende-la melhor.
Meu pai começou a pintar toda casa, esse negócio de meu pai bancar o pintor era muito engraçado, porque eu sempre via mais tinta no farto cabelo dele do que no pincel... cheguei a pensar que ele pintava a parede com a cabeça...kkkk não tinha outra explicação, ele era muito atrapalhado, lembro-me de uma vez eu estava em um quarto nos fundos da casa, e ele pintando o outro, e de repente escutei um estrondo... tuffffffff corri para ver, estava meu pai no chão, dizendo que a escada tinha virado (imagino que sozinha) e ele perdeu o equilibrio, no que caiu o pé dele bateu quase no teto... a marca ficou na parede... incrível algo que nem Daiane dos Santos conseguiria, e até difícil de descrever... e lógico ele todo pintado, mais que a parede...

Mas o que ocorreria nos dias seguites era fichinha perto do "Pablo Picasso" que era meu pai...

Meus avós maternos vieram passar um final de semana conosco, e vieram também meus tios e primos, para conhecer a nossa casa de praia e passar um final de semana legal, então eles resolveram ir para uma cachoeira que fica a uns 15 Km de Peruíbe e eu não quis ir, queria ficar por lá mesmo, estava eu sozinho em casa e olhei que o muro desta casa não estava ainda pintado, e que meu pai tinha comentado que iría pintar, então tive uma brilhante idéia... EU VOU PINTAR.... claro enquanto eles estão lá se divertindo, eu pinto e mostro o grande talento que eu tenho, se meu pai é o Pablo Picasso eu sou o Michelangelo... oras bolas. As tintas estavam todas no canto da cozinha e tinha um galão de 18 litros de tinta bruta na cor Bege, ela precisa ser misturada com água para ficar pronta, é como se fosse uma massa corrida... mais ou menos isso, e pesa muito, então eu peguei um balde para fazer a mistura, no que fui virar a lata de 18 litros como ela pesa muito não aguentei e deixei cair tudo no chão, virou a lata toda daquilo no chão, ai me apavorei... MEU DEUS MEU DEUS... o que vou fazer??? então tive uma idéia muito bacana, pegar a mangueira e limpar aquilo tudo com ÁGUA e guardar as tintas, e esquecer da minha vida de pintor... só como eu disse a tinta é bruta e precisava de água para ficar pronta... comecei a jogar água e água e mais água e nada daquilo desaparecer, eu abri a porta da cozinha então quase tive um colapso nervoso, tinha escorrido na casa toda, sala, quartos, banheiro... tudo cheio de tinta... e no ponto... ai meu amigo entrei na dispensa e peguei todos os produtos de limpeza da minha mãe, em um gesto de misericórdia... o que eu queria mesmo era uma varinha mágica... Pinho Sol, Ajax, sabão em pó, criolina, detergente... tudo que via jogava no chão, acho que joguei até Listerine (Porra!!! se mata as bactérias?! não acaba com a tinta ? kkkk) para ver se desaparecia aquela tinta... Eu ia toda a hora no portão para ver se eles estavam chegando, porque se eles chegassem eu ia ter desaparecer uma semana, ou tentar inventar uma estória daquelas de dar inveja para a Agatha Christie, mas não me vinha nada na cabeça... Agora lembrando acho que cheguei a pensar em contar que um ladrão havia entrado em casa e em uma briga sangrenta eu dei com a lata na cabeça dele... resumindo eu estava bem do fudido...

Até que tudo que eu queria aconteceu, em uma das minhas idas e vindas no portão eu vi o carro do meu tio apontando no começo da rua, uns 300 metros de casa... e tudo estava lá em casa da mesma maneira, ai fiquei na rua não entrei mais, meu tio me viu de longe e ficava dando faróis para mim... buzinando, todos naquela alegria... e eu ali pensando: -coitado. Desceram do carro meu tio Carlos me abraçando e cantando, e meus pais dando risada... (se eles imaginassem o que estaria por vir) todos naquela alegria, nem viram que estava todo sujo de tinta, nem perceberam... e foram entrando e eu continuei na rua, entraram meus avós, meu tio e tia, primos e meus pais... só fiquei esperando algum milagre de ter desaparecido aquela merda que tinha feito... AI JESUS - gritou minha vó, ai vi o maratonista olímpico português chamado Antonio Morais (meu pai) correndo atrás de mim... se ele me pegasse eu estaria hoje em uma cadeira de rodas tenho certeza...kkkk não conseguiu me pegar claro, eu corria muito, depois de anos precisando correr do meu pai, virei um grande corredor...rsss
Sumi por umas 2 horas mais ou menos, mas eu conhecia a fúria do meu pai, e voltei fui chegando pertinho, me aproximei do muro lateral da casa e fiquei ali para ver como estavam as coisas, e meus primos Toninho e Marina do lado de dentro de casa, e eu conversando com eles ali no muro que era bem baixinho mesmo, eu sabia que qualquer descuido meu era fatal, quando olho para o meu lado esta meu pai com uma vassoura na mão, no que ele deu a vassourada eu me abaixei muito, mas muito rápido... no estilo Matrix, aliás acho que o Kenu Reeves se baseou nesta cena, e a vassoura acertou em cheio a cara do meu primo Toninho que caiu... e eu?! corri corri e corri... o meu calcanhar tenho impressão que encostava na nuca... Mas dei um tempinho e lógico voltei, agora imagina a fúria que o Sr. Vassoura estava... Mas enfim, tive uma mais uma idéia já pela noite, eu vi meu Tio Carlos que chamei ali perto do tal muro e pedi que me salvasse, contei para ele todo o fato, e disse que minha intençao era só ser ovacionado com a pintura do muro... blá blá blá e ele e minha Vó Alzira (que Deus a tenha em bom lugar)conveceram ao meu pai a não me bater, porque ali podia ter um novo Van Gogh...kkkk
Ai meu tio me chamou, dizendo que eu podia entrar que tinham amansado a fera, fui entrando como um cachorrinho de rua... sentei do lado da minha vó, vi que todo estrago já tinha sido limpo, fiquei ali quietinho olhando a cara do meu pai, então observei que nas paredes que eram brancas tinha ficado próximo do chão uma marca de tinta em toda a casa, como se fosse um rodapé bêge, foi a marca que ficou do estrago que eu tinha feito, foi então que resolvi falar uma coisa para ver o jeito dele: - Olha pai ficou um rodapé Bege!!! e meu pai muito simpático me disse:



- Cala tua boca se não seu olho é que vai ficar roxo...



Silêncio absoluto durante uma semana... Aprendi da pior maneira sobre as cores...

Minha promissora carreira de pintor acabou ali mesmo...

Nunca tive oportunidade de agradecer: obrigado Tio Carlos por me livrar de um espancamento.rssss

Nunca tive oportunidade de me desculpar: Desculpa Toninho pela vassourada na cara...kkkkkkk foi puro reflexo...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

PRIMEIRO EMPREGO


Meu primeiro emprego de verdade (de verdade digo, porque já tinha vendido chicletes, sorvetes, chaveiros e carregado tambores de água mineral de 20 litros) então trabalhei no Consórcio Nacional Expansão, registrado bonitinho. Foi marcado por trapalhadas e várias técnicas desenvolvidas, eu tinha 17 anos quando comecei a trabalhar lá.
Consegui ser mandado embora na primeira semana, mas com jeito conversei com o gerente e permaneci.
O meu trabalho era na Mooca e eu na época morava em Itaquera, era uma experiência fantástica pegar ônibus e metro de manhã, no caso do ônibus eu não tinha lá grandes problemas pois morava perto do ponto final e quase sempre ia sentado, mas o metrô era uma coisa de cinema, se você quer uma experiência sobre as leis da física pegue o metrô as 7:00 da manhã no terminal Itaquera a experiência consiste em:

Teoria da relatividade do Metrô das Sete
Pare estático antes da catraca de entrada do metrô (com o bilhete na mão, se não você pode morrer esmagado) você começará a sentir uma força oculta te levar e é o tempo de você enfiar o bilhete na catraca e passar sem pensar em parar, se por um acaso travar a catraca, Fudeu!!!, continuando, você verá seu corpo sendo levado para escadas rolantes, se até ai você estiver acordado, sem vontade própria parará na plataforma de embarque, e quando o trem parar, nem pense em ir em outro porque você vai naquele mesmo com certeza.
Chegava lá no trabalho as vezes no horário e as vezes não, mas isso não era problema, pois tinha combinado com outro que trabalhava lá, que quem chegasse primeiro batia o cartão do ponto um do outro e vice-versa até que um dia fomos pegos, na verdade desconfiaram pois chagávamos sempre no mesmo horário e tive a cara de pau e olhar para cara do diretor e falar:
_Eu sempre espero ele no metrô, para não vir sozinho, pois tenho medo daquele pedaço até aqui.... (viadinho)
Ele olhou para minha cara e disse:
_ Mas ele mora na zona Sul e você na Leste, não acha meio estranho você esperar ele? – e respondi:
_ Eu tenho medo...
Saí como viadinho, mas não tomei advertência. rsss

Teoria da Economia na hora do almoço (falta de grana mesmo)
Recebia ticket refeição, mas não dava nem para pensar em comer, tinha um restaurante do Habibs onde comprava esfihas, passei 2 anos da minha vida comendo esfihas, e bebia suco de limão, esse suco de limão era feito com o limão que eles davam para têmperar as esfihas. Já até me conheciam eu tinha tratamento VIP naquele restaurante, chegava lá e já falavam:
-Lá vem o menino que gosta de limão. – eu pedia sempre um pouquinho a mais de limão...

Lá eu fiz uma das maiores cagadas, que me envergonho até hoje, quando me lembro.
Por incrível que pareça subi de cargo depois de um tempo, passei para Auxiliar Administrativo, então estava eu sentado uma bela tarde na sala do financeiro da empresa, e me entra o presidente da empresa Sr. Oscar, eu me sentava naquelas cadeiras de secretária que tem rodinhas, levantei para cumprimenta-lo e no que levantei a minha cadeira foi para trás, agora imagine uma sala com mais de 10 pessoas e o presidente da empresa, quando fui me sentar... poffffff cai que nem uma galinha com as pernas para o ar. A minha vontade era fingir um ataque epilético, para me tirarem dali sem que eu tivesse que levantar de novo, me dá vergonha só de lembrar. Levantei a sala toda séria olhando para minha cara, eu sabia que qualquer ruído de risada podia ser meu fim, e não deu outra foi o próprio presidente que começou, as coisas na minha cabeça começaram a ficar distantes, ouvia aquelas risadas como um eco na minha cabeça.
A minha passagem naquela empresa foi muito cômica, mas foi muito gratificante, lá entre outras cagadas aconteceram:

· Um dia andando na rua lendo uma revista, cai dentro de um bueiro sem tampa (minha vontade era virar uma tartaruga ninja e morar lá mesmo do que sair com as pessoas olhando para mim) detalhe: eu me vestia todo social.

· Olhando o guia de ruas e comendo chocolate, entra o diretor da empresa e põe a mão na minha frente para mostrar onde era a rua que eu procurava, eu cuspi chocolate na mão dele quando falei que já tinha visto.

· Fui assaltado, e desconfiaram de mim (Meu Deus, quase morri, com um revólver na garganta).

· Nos bingos da empresa (aconteciam uma vez por mês) eu tinha que imitar sempre o Silvio Santos, e praticamente não tinha escolha mesmo era o presidente que me pedia, e eu não conseguia negar ao seu pedido... que coisa, mas no fundo gostava...

Tomei algumas lições que levo até hoje, a propósito descobri que Sr. Oscar (o presidente) não tinha uma passagem secreta na sua sala, não sei porque teimava que ele tinha essa passagem...

O DIA QUE AINDA NÃO ACONTECEU

"Talvez apenas flutuemos sem rumo na brisa como uma pluma, ou nascemos com o destino traçado”

Meus pais possuíram uma lanchonete no bairro do Bom Retiro, mais precisamente na rua Anhaia, 711 foi onde eu me dei conta que existia, pois eu era muito novinho, fui para lá com uns 2 aninhos e por volta dos meus 5 anos em uma noite de verão (pelo menos fazia calor) estava eu ajudando meu pai a limpar a chapa de lanches, eu em cima de uma cadeira e meu pai ao meu lado, minha mãe estava no salão que ficava na parte de trás da lanchonete. Naquele momento entra um rapaz moreno jambo onde estávamos, meu pai muito calmo virá-se para o rapaz e diz:
_ Pode entrar que as moças estão lá no fundo. - Meu pai pensou que fosse algum amigo das moças que estavam com a minha mãe.
O camarada sacou um revólver e disse em claro e bom som:
_ISSO É UM ASSALTO!!!
Eu no auge dos meus cinco anos, pensei:
_Que porra é essa... (não com essas palavras, mas nesse sentido)
Meu papai travou, ai o camarada falou que ia mata-lo (na verdade acho que rolou uma discussão nessa hora) então meu pai percebendo que o ladrão falava sério, disse uma frase linda e maravilhosa para os meus ouvidinhos:
_Se me matares terás que matar meu filho junto. – que bonito!!! parece piada de novo, mas a idéia de português do meu pai, era sensibilizar o coração do malandro. (Pode????) foi o que deu para ele arrumar na hora, tinha que ser eu mesmo!
Imagina a capa dos jornais no outro dia :
Homem português é morto com seu filho em seus braços. As últimas palavras do seu filho foram:
_O que eu tenho a ver com isso?. Continuando a minha história...
O marginal não teve duvida, apontou a arma no meu peito e sapecou duas vezes...
Peito de aço? Não mesmo, Colete? Também não, posso dizer que simplesmente as balas não entraram no meu peito, aliás, nem saíram do revolver, picotaram dentro do revolver e não saíram para alegria... Minha mesmo, e do meu pai também é claro. Meu pai percebendo este milagre teve outra idéia.rsrsrs é cômico, riscou um fósforo e pôs na cara do bandido, que também não teve dúvida, correu, e muito por sinal, ainda meu pai passou a mão em uma garrafa de cerveja e jogou para ver se acertava, acertou, não no ladrão, mas em um carro que estava parado por ali. (ainda teve que pagar o conserto.rsrsrsrs)
O “Ladrão pé rapado”, testando a arma na rua e tentando entender porque não funcionara, acabou provocando um disparo, que acertou a perna de um rapaz que passava perto dele (devia beijar esta perna pelo resto da minha vida).O rapaz nada sofreu de mais grave, ele foi algumas vezes na lanchonete. (Só me faltava pedir indenização também).
Foi assim essa história que contei, de uma maneira bem alegre e divertida, na minha ótica de apenas cinco anos, foi isso que vi, e também porque estou vivo e com saúde. Milagres acontecem todos os dias.
Agora! Quer me dar um tiro? Tenta a sorte? Eu te boto fogo, heinnnnn!!!!!!?

VESGUINHO

Eu nasci com um problema nos olhos (estrabismo), eu era vesgo. Repeti o 1º ano escolar por esse motivo, me escondia embaixo da mesa (carteira) para ninguém ficar me olhando. Era terrível aquele sentimento. Quando atingi meus 8 anos, minha mãe perguntou-me o que eu queria ganhar de aniversário e eu respondi que queria uma operação nas minhas vistas.
Minha mãe procurou um oftalmologista para me examinar, e o médico (do qual fiz de tudo para me lembrar do nome e não consegui) disse que o meu problema ele poderia resolver com uma cirurgia.
Depois de uma bateria de exames que fiz, desde exame de sangue até sei lá mais o que, fui liberado para cirurgia,
A cirurgia estava marcada para 1:00 da tarde, saímos da minha casa (eu e minha mãe) 5:00 da manhã a pé, para depois pegarmos o ônibus que iria nos levar para São Bernardo. Eu ia andando pela rua onde morava e olhando as casas de meus amigos e na minha cabecinha eu pensava que nunca mais eles iriam me chamar de vesgo, zarolho, olho torto e outros elogios, pensei em tudo que eu já havia sofrido com aquilo, com meu problema. Chegamos no hospital que era em São Bernardo do Campo mesmo, fui para a preparação e me rasparam todos os cílios, mas isso não tinha nenhum problema para mim, eu sabia que tudo dali em diante era para meu bem.
Fui para quarto aguardar a hora, esperei muito, e já com muita fome, pois não poderia comer nada até depois da operação. Chegando perto da 1:00 da tarde, entra a enfermeira no quarto com a maca ,e falou que já estava na hora. Olhei para minha mãe, subi e deitei-me na maca. Parecia cena de filme , eu deitado na maca e minha mãe andando do meu lado. Entramos no elevador. Chegamos na entrada do centro cirúrgico, e dali para frente minha mãe não poderia entrar. Olhei para ela, e ela me disse uma coisa, que nunca mais vai sair da minha cabeça aquela imagem. São coisas que demonstram, que a dor de um filho também é a dor da mãe. Ela disse:
- Boa Sorte meu filho – com lágrima nos olhos.
Fiquei olhando para minha mãe até as portas se fecharem. Estava eu ali em um lugar escuro,onde estavam muitas pessoas deitadas em outras macas, que falavam comigo, mas o engraçado é que, depois, comentando com minha mãe, ela disse-me que ali não tinha ninguém (não sei se foi efeito da anestesia ou são mistérios do mundo).

Já na mesa de operação vi o meu médico, o que me deixou muito feliz, pois até então não conhecia ninguém e era ele que iria me operar.
Depois que tomei soro, veio à anestesia geral, me aplicaram e eu fiquei contando o tempo, para ver até quando eu conseguia ficar acordado. Pensava que iria ser muito rápido mas demorou um pouco, depois apaguei de uma vez (nem sei onde parei na contagem), apaguei igual quando se desliga um televisor. Depois da operação fui para o quarto então. Aí consigo me lembrar de algumas coisas, mesmo estando anestesiado. Lembro-me da minha vó (materna), falando comigo, mas tudo me parecia um sonho, lembro-me da minha mãe falando com meu tio Cininho para não conversar comigo pois eles sabiam que eu gosto muito dele e podia me exaltar.
Por volta das 5 da manhã do outro dia, eu como sou detalhista, sabia da minha posição no quarto e minha mãe estava deitada em um colchão no chão do lado da minha cama. Eu estava com dois tampões vedando as minhas vistas, precisava ir ao banheiro, e não queria acordar minha mãe. Então levantei, coloquei o pé do outro lado do colchão da minha mãe me apoiei e levantei, andei em linha reta e fui até à parede, andei de lado e achei a porta do banheiro. Entrei e tirei o “dito cujo” para fora e ouvi uma voz gritando:
_Estou aqui! - Era a outra paciente que estava no quarto conosco.
Ela chamou minha mãe e fez o maior agito, sem necessidade, tudo por causa de um xixizinho.
Ficamos mais umas horas por ali e fomos embora, só que precisávamos passar no médico para tirar os tampões.
Chegamos no consultório, minha mãe deu a maior bronca no médico, pois ele depois da operação não tinha dado nenhum esclarecer para ela e o médico falava:
_ Calma, Dona Fernanda, Calma.
Sentei na cadeira e ele começou a retirar os curativos das minhas vistas, minha mãe e eu não tínhamos visto como havia ficado a pós-operação. Ele estava na minha frente, e minha mãe não conseguia ver. O médico olhando para mim, pois já estava sem curativos falou para minha mãe:
_ Dona Fernanda, não precisa se irritar tanto, me responda: alguma vez você viu os olhos do seu filho desse jeito? – e saiu da minha frente.
Olhei para minha mãe e as lágrimas começaram a cair de seus olhos. Ela apoiou a cabeça na mesa e começou a chorar de soluçar.
- A cirurgia foi um sucesso – disse o médico.
Não sofro mais deste mal, nem eu, nem minha mãe.
Este foi o sacrifício, ou melhor, um dos sacrifícios que mInha mãe fez por mim.

MILAGRES ACONTECEM TODOS OS DIAS

COQUEIROS


No começo dos anos 90 meu pai resolveu se aventurar na cidade de Peruíbe (litoral sul do estado de São Paulo), comprou uma casa que a lateral dela dava para uma avenida de terra batida. Essa casa tinha um canteiro de areia muito grande e tinha uns coqueiros, meu pai resolveu acabar com aquela areia e colocar grama e arrancou os coqueiros. Naqueles dias meus primos Helton e Helder estiveram lá para brincarmos e eu muito inteligente e sábio tive uma idéia que foi simplesmente fantástica e falei: -Porque a gente não planta esses coqueiros no meio da avenida, assim todo o mundo que passar vai se assustar e pensar que os coqueiros nasceram aqui da noite para o dia. ( pode????)....... Ainda ficamos imaginando o Cid Moreira vindo a Peruíbe fazer reportagem, vários reporteres internacionais para divulgar sobre os coqueiros mágicos e a terra mais fértil do mundo. Pois bem idéia lançada ao ar e começamos a concluir a mesma. Como essa tal avenida não era muito movimentada tivemos tempo de poder fazer um buraco, que na verdade fizemos três, pois eram três coqueiros que iríamos plantar e plantamos os coqueiros. Ficamos ali olhando um tempo a nossa obra de arte e tentando imaginar oque as pessoas pensariam daquilo tudo. Olhei mais adiante e vi dois faróis se aproximando, saímos correndo e ficamos na esquina de uma rua olhando oque aconteceria, e era a primeira pessoa que iria testemunhar aquele milagre da natureza, notamos que se tratava de um Volkswagen/Brasília e estava em alta velocidade. Eu olhei para cara dos meus primos e falei a frase mágica: _MEU DEUS.....................em tom de desespero. O homenzinho fez uma manobra que até hoje não sei como ele não espatifou a Brasília dele na nossa obra prima, ele jogou o carro dele encima do canteiro (um barranco) que tinha na lateral da estrada e parou a Brazoca dele, com um detalhe, ele nos viu. A nossa única opção, era? Correr............. e muito por sinal. Me joguei dentro de uma vala de lama que na frente tinha uma moita o meu primo Helder também conseguiu se esconder, mas como a gente sábia que o homem estava babando atrás da gente e o meu primo Helton ficou paralisado, estático, sem ação nenhuma e o nosso amigo da Brasilia pegou ele. E ele muito inteligentemente gritou: _Pessoal pode sair, que ele pegou todo mundo!!!! Não acreditei que ele estava nos traindo daquele jeito, levantamos e fomos acabar com a nossa esperança de nos tornarmos famosos por morar na terra mais fértil do mundo, tiramos tudo com aquele camarada gritando na nossa orelha ai minha orelha ficou duas ou três vezes maior. Depois ainda nos levou para os nossos pais (que falta de sensibilidade) para contar oque havia acontecido. Minha vida de Botânico acabou ali mesmo, a terra não era fértil. Mais as nossas cabeças!!!!!!! Que fertilidade!!!!!!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

MEU PATINETE



Eu morava em um sobrado no bairro do Ipiranga, e tinha uns 13 anos, havia ganhado do meu padrinho um Walk Machine (patinete motorizado), em que precisava de gasolina a cada meia hora, pois eu não parava com aquilo de jeito nenhum, minha mãe havia convidado uns fregueses da Lanchonete para ir lá em casa, na verdade meu pai não gostava muito disso (meu pai era bem diferente de mim e minha mãe, ele não gostava muito de gente). Era um domingão e já estava perto do horário do almoço e as visitas já estavam lá em casa para filar a bóia, eu estava com meu patinete já acabando a gasolina e já sabia que meu pai não daria mais dinheiro, então pensei: _Está cheio de visita lá em casa, vou pedir na frente de todo mundo meu pai não vai negar. Pois bem, cheguei para ele e falei, mais a resposta foi negativa de pronto... tentei insistir mais não teve jeito, ai meu pai teve a infelicidade de me falar que ainda tinha gasolina porque eu estava andando com o “bendito” patinete, tentei explicar-lhe que a gasolina só chegava até o posto, mais ele pensava que eu queria jogar fliperama (que era minha outra mania, mais era aqueles de bolinha, nem sei se ainda existe). Ai me subiu o sangue. Simplesmente entrei andando com o patinete na sala jantar de casa (detalhe: em cima do tapete) coloquei o patinete no pezinho e fiquei acelerando e aquela fumaceira comendo solta (na verdade eu sabia o risco que estava correndo, mais qualquer coisa eu corria para o banheiro) e falava: _ Que ver vai acabar a gasolina, que ver...... Só olhei o tamanho do olho do meu Pai crescendo e crescendo e crescendo.... eu só tive tempo de desligar o patinete e sair correndo.... subi as escadas em um pinote de dar inveja ao João do Pulo, pensei: _Vou entrar no banheiro e fecho a porta e quando a acalmar as coisas eu saio... Quando vou entrar no banheiro a porta fechada....MEU DEUS, MEU DEUS Entrei no meu quarto e fiquei atrás da porta rezando e pedindo desculpa por tudo que já tinha feito na minha vida. Ai vem a melhor parte, as minhas preces foram atendidas, meu pai vem e começa a dar porrada na porta do banheiro e diz: “leiam com soquete de português nervoso” _O BAGABUNDO DO “CARVALHO” QUANDO TU SAÍRES DAÍ VOU TE ACERTAR OS CORNOS..... Quase me mijei de tanto segurar a risada atrás da porta, e nisso meu pai desceu as escadas e voltou. Depois de uns 10 minutos o camarada que estava no banheiro saiu, branco de dar inveja ao Omo dupla ação, desconfiado e olhando para todo o lado, ai eu saí de trás da porta e expliquei oque havia acontecido, pois só assim poderia me livrar da surra, e não deu outra, quando o camarada que me livrou da surra desceu, foi uma originalíssima piada de português. Essa pelo menos eu me saí bem e não precisei me desintegrar ou virar um sapo.

A BANHEIRA

Esta estória que vou contar tem gente que jura que aconteceu comigo, mas eu também juro que não aconteceu. Não direi o nome da pessoa que aconteceu, mas contarei essa incrível história que até poderia ter acontecido comigo. Mas vamos chamar meu ilustre amigo de Pedrinho e a ilustre amiga de Mariana. Certa vez Pedrinho e Mariana estavam gozando de um amor muito “caliente” e no meio dessa paixão toda, resolveram curtir seus momentos em um Motel (O lugar onde acontecem as coisas mais engraçadas) chegando lá, depois de um dia estressante de trabalho os dois se deitaram na cama e antes que tudo acontecesse, Mariana pediu a Pedro que enchesse a hidromassagem de água para que eles pudessem se deliciar com gostoso banho, lindo... Pedrinho correu para fazer o que a sua amada pedira, virou uma das torneiras e voltou para cama. Já na cama, não teve jeito de esperar o banho, Pedrinho foi muito rápido e amou a sua querida. Deitaram –se mais um pouco na cama e Pedrinho muito simpático e alegrão pegou a sua Mariana pelo colo e carregou-a até o banheiro, chegou lá não teve dúvida jogou-a dentro da banheira. Só que com um detalhe, quando ele tinha ido encher a banheira, havia aberto somente a torneira QUENTE. O meu querido amigo só teve tempo de ouvir um grito, meter os braços na banheira (que queimaram também) tirar aquele corpo. No que ele tirou a garota de lá, ela desmaiou. O resultado disso tudo ? .Queimadura de 2º grau nos dois. E o resto da noite no hospital e explicando a todos a cagada.

Já tive problemas com essa história, mas eu juro que o Pedrinho não sou eu... eu acho...

*O SOLDADO 171

Uma Homenagem ao Meu Pai.

Faz alguns meses que meu pai morreu. Faz alguns meses sem meu companheiro e amigão. Faz alguns meses sem ouvir suas boas histórias, ele devia ser uma versão do Forrest Gump português. Faz alguns meses sem ter com quem conversar quando a Portuguesa ganha ou, como tem sido mais freqüente, é derrotada. E eu, que nunca havia sentido o baque de perder alguém, estou ainda me ajustando à vida sem norte. Meu pai, meu porto seguro, era um homem diferente. Entendia absolutamente nada de consertos domésticos (só de chuveiros), de carros (um pouco), de máquinas. Nunca vi meu pai bebendo água – e, verdade seja dita, nunca foi visto ingerindo algo que não fosse cerveja, café com leite ou vinho. Ele achava que havia tantas outras opções no mercado. Costumava se vestir de uma maneira que não chamasse a atenção, calça jeans e camiseta (por dentro da calça, é lógico) e de preferência sem nenhuma estampa. Meu pai, ambientalista de natureza, adorava pássaros, cachorros, coelhos a natureza em si, um admirador do Jacques Cousteu. Meu pai foi embora cedo demais porque fingia ignorar que o ser humano vive de corpo e mente. Vivia exclusivamente de sua cabeça e utilizava o corpo apenas ir ao estádio da Portuguesa e fazer compras para lanchonete, os lugares onde podia ser encontrado quando não estava em casa dormindo. Se fecho os olhos, consigo ver flashes de meu pai fazendo um carrinho de rolemã para mim, posso ver ele arrumando as brigas no Canindé e eu tendo que separar. Juntos, íamos ao Canindé em dia de Jogos da Lusa, ao Morumbi e Pacaembú quando o jogo era bom, passeávamos pelo centro velho de São Paulo, falávamos de política, de seleção, de olimpíadas. Dele, eu tenho o dedo polegar da mão direita (incrível, mais é verdade o outro da mão esquerda é igual da minha mãe), o amor pela Portuguesa, a mania de achar graça em tudo mesmo que não tenha graça, a paixão pela arte. Com ele, aprendi a gostar do Silvio Santos, Ayrton Senna, Maluf (nem tudo é perfeito) Vinho e tudo que venha de Portugal e incondicionalmente admirar qualquer um que torça pela Portuguesa. Meu pai, evidentemente, assim como qualquer outro, tinha um milhão de defeitos. Só não posso citá-los porque descobri que, quando alguém tão querido morre, enterra-se com o corpo toda e qualquer imperfeição d'alma. Mas, se me fosse dada a tão preciosa chance de dizer mais uma coisa para ele, uma só, eu diria obrigado. Obrigado por ter me acolhido, por ter me amado incondicionalmente, por ter me introduzido ao saxofone (embora nunca tenha assistido nenhuma apresentação minha), por ter me apresentado o Canindé, por ter me ajudado a atravessar a rua, por ter me entendido mesmo quando eu não me entendia, por fingir dar bola para minhas neuroses, por me ensinar a comer Bacalhau com Batatas. Agora, se pudesse dizer duas coisas, diria que Portugal ganhou do Brasil no Sábado por 2 x 1 . Como em 1966, essa história que meu pai deve ter me contado umas 3.000 vezes.


*A propósito 171 era número que meu pai era no Exército um orgulho para ele, ter servido o Exército Português.... e quantas histórias................., Hein......... Sr. Antonio Morais.............................

...Este texto escrevi em 2003 alguns meses depois do falecimento de meu pai, tentei descreve-lo para quem não o conheceu pudesse entender um pouco...