segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

SEMPRE OS 4

Mãe, Desculpa se não fui um bom filho, mas juro que fiz tudo que eu podia, se as vezes pegava no seu pé era para que ficasse um pouquinho mais comigo... Queria poder ter te dado uma vida melhor, mas eu tive que começar do zero, não tive tempo, mas ia te dar muitas coisas ainda...
Desculpa por não ter te dado um neto e nem entrar contigo na igreja, as coisas aconteceram na minha vida e o tempo foi meu inimigo...
Você com todos os teus defeitos e qualidades foi uma mãe maravilhosa, criança que era mulher, não tinha medo de ser feliz, não tinha medo do que os outros pensariam... não tinha medo...
Hoje desdobrei as últimas roupas que você me lavou e passou, e posso sentir o teu toque ali... As roupas vão ser lavadas de novo, trocadas, dadas... mas, sua presença sempre vai estar nas minhas roupas, dentro delas, do lado esquerdo do meu peito... " A onde quer que eu vá, levo você no olhar"...
Bom, agora me resta o mundo, não sei se estou preparado para ele, vocês me ensinaram muitas coisas da vida, mas ainda não sei se estou preparado para o mundo...

Mas, hoje quando sento a mesa, somos ainda nós 4, Eu (na minha casa), Cristina (na casa dela), o papai e você minha mãe... Somos 4... enquanto um de nós viver vamos ser sempre nós 4... em cada risada, em cada conquista, em cada choro... vamos ser sempre nós 4 quando eu sentar a mesa para comer por toda minha vida... em um domingo qualquer. Ah... e tomar sorvete depois, como você gostava...
Vai com Deus mãe... vai com Deus

* minha mãe faleceu dia 13/01/2010 - vítima de enfarto devido a pressão alta

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

APRENDENDO

Ahhhh minhas férias no interior... Campinas lá pelos anos 80, sempre ia para casa de meus padrinhos passar as férias por lá, momentos mágicos e inesquecíveis, lembro-me de ir primeiramente para uma casa de esquina, uma casa muito legal onde eu brincava com as minhas primas, nesta casa se não me engano, passei uma de minhas férias em Campinas, porque quando estava em São Paulo nos meses seguintes soube que meu padrinho havia comprado uma casa com piscina... Ai contava nos dedos quando iria para Campinas, logo conhecer essa tal casa, mas dessa vez quem veio me buscar foi meu padrinho, depois de quase eu morrer de tanta ansiedade, me pegou lá na lanchonete do meu pai... com sua Brasília branca. Íamos naquela viagem muito felizes, eu, meu padrinho e madrinha, minhas primas Celeste e Adriana e uma amiga delas a Lídia, na viagem a Adriana ia me contando todos os detalhes da nova morada e da vizinhança... de suas novas amizades, Bochecha, Gui, Silvana, Flávia... e etc...
Chegamos já tarde então as apresentações iriam ficar para o outro dia, mas fui logo querer ver a piscina... e estava lá... lógico... com um detalhe que eu não sabia nadar e foi ali que aprendi a dar minhas primeiras braçadas.
Eu amava tudo ali naquele lugar, o cheiro da casa, o cantar dos pássaros, a Pituca (cachorrinha), a Maica (essa eu tinha medo era uma Dorbermann) café da manhã com Ovomaltine... Nossa e como me colocavam comida pela boca...hahahaha, eu era bem magrinho e minha madrinha e padrinho não aceitavam minha magreza.
Mas então amanheceu o outro dia, e iria conhecer a turma, e foi quando tive uma bela surpresa, conheci a tal Flávia... senti uma coisa estranha que jamais eu tinha sentido... Ela era linda meu Deus... parecia um anjo, então como naquela minha idade é comum, comecei a querer me exibir, falar na gíria, contar piadas, faltava dar piruetas ou sair voando, tudo para impressionar ... coisas de criança, apesar que hoje em dia o que vejo em adultos não é muito diferente, o que era diferente era meus hormônios, porque tudo o que eu queria era ficar do lado dela, não queria beijar, abraçar, essas coisas, eu apenas queria sua atenção e companhia... é que a gente muda com o passar dos anos, os hormônios começam a pensar por nós.

Brincávamos muito, época que não tínhamos computador, as brincadeiras exigiam mais contato, mais relacionamento, veio a facilidade da tecnologia e se foi um pouco da infância. Íamos sempre para um campo bem grande que ficava ali perto, jogávamos futebol, volley, empinávamos pipa, e foi numa tarde, que observei a Flávia se esforçando para fazer um laço (estirante) para soltar a pipa, então mais do que de pressa lá foi eu ajuda-la, e fiz o estirante para ela, lembro de ela me perguntar:
- Como você fez isso?
Eu estufava o peito, parecendo que tinha ganhado o prêmio Nobel e saia de perto todo cheio de graça. Claro que eu não ia ensinar, queria é que ela precisasse de mim mais umas 200 vezes..rssss
E aquelas férias foram passando e até que tomei coragem, pedi para minha prima Adriana falasse com a Flávia, dizendo que eu queria namorar com ela, e minha prima me disse que eu que tinha que falar... claro eu era um homem ou um saco de batatas...kkkk
A turma toda saiu de perto e nos deixaram a sós para que eu efetuasse o tal convite a garota, depois de acho que uns 10 minutos sentado do lado dela, olhando para o nada e claro, falando nada... foi de uma vez como se me empurrassem em um abismo.
- Você quer namorar comigo????? – falei tão rápido, que até hoje não sei se ela entendeu realmente o que eu falei, ou ela já sabia o que ia falar, então tanto importava o que eu dissesse... e o silêncio pairou no ar... acho que se ela me dissesse não naquele momento, eu diria tudo bem... era mais importante eu conseguir falar do que ela me dar a resposta
-Vou pensar – disse ela para mim
Ótimo, e agora? Agora é esperar, então o pessoal se aproximou e minha prima ficou conversando com ela, e veio a resposta:
Olha Luís ela aceitou, mas disse para você parar de ser bobo – disse minha prima. Porque como falei, fazia de tudo para aparecer...
Vou para interior passo minhas férias, aprendo a nadar, e ainda descolo uma namorada... olha só... quantas surpresas e descobertas. Mas o engraçado que meu “namoro” com a Flávia não passava de aperto de mão, beijo nem pensar, até acho que ela aceitaria um beijinho meu, mas minha timidez havia criado uma desculpa muito, mas muito justificável... o pai dela, eu morria de medo do pai dela.
Mas como tudo que é bom dura pouco, meus pais vieram me buscar, pois tinham acabado minhas férias, depois de mostrar que eu havia aprendido nadar, contaram a novidade para meus pais, sobre meu namorico, ai foi aquela barulheira na minha cabeça, sem contar as beliscadas na bochecha... olha ta virando homenzinho .... arrrrhhhhh (Nunca faça isso com seus filhos)
Chegou a hora de ir embora e chamaram a Flávia para se despedir de mim... (poxa não precisava...rsss) e todos falando para eu dar um beijinho nela, lembro do meu pai falando:
- Ohhh rapaz dá um beijinho na moleca – e fazendo biquinho para mim...- Meu DEUS
E eu os advertia ferozmente, dizendo que o pai dela é muito bravo... mas depois de muito custo eu dei um beijinho na bochecha dela... finalmente, e fomos embora para São Paulo...
Passaram-se alguns anos, eu cresci, ela cresceu, eu mudei para o litoral e se passaram 7 anos destes fatos. Em uma tarde, em um fim de ano, estava eu e meu primo Hélder lá na praia e fomos para minha casa, chegando em minha casa vejo que tem uma carta, e era de Campinas, era da minha madrinha, fui correndo abrir para ler, ai comecei ler em voz alta, brincando com meu primo, eu fazendo que era locutor, então tomei um dos maiores choques de minha vida, um trecho da carta dizia:

“Espero que esta carta os encontre com muita saúde, e que estejam bem... Aqui estamos muito tristes, pois a Flávia sofreu um acidente de bicicleta, não resistiu e faleceu...”

Foi a primeira vez que perdi meus sentidos e cai no chão, perdi totalmente as forças das pernas... Chorei muito, muito sem parar, li a carta diversas vezes na esperança de ter lido errado, não conseguia acreditar que uma pessoa tão cheia de vida havia a perdido tão brutalmente.

Ela estava com 15 anos, foi andar de bicicleta, entrou em uma ladeira, perdeu o freio da bicicleta e bateu violentamente em um muro que ficava no final desta descida, era uma manhã do dia 15/12/1990.

E foi assim o primeiro grande choque que tive em minha vida... E sempre a vida nos reserva surpresas... e como diz a música do Toquinho:
"E o futuro é uma astro nave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
E depois convida, a rir ou chorar... "

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

MINUTOS DE FAMA

Tarde do dia 17 de março de 2009

Caía o mundo de chuva, ficaram mais de 2 horas chovendo muito, por "sorte" eu estava sem carro para ir para casa quando voltava do trabalho naquele dia, cheguei próximo a Avenida dos Estados a pé, estava um verdadeiro caos, para o lado de São Caetano do Sul não se sabia o que eram ruas ou rio... inacreditavel aquela imagem. Cheguei em meu apartamento olho pela janela e via somente um rio... olho mais além e vejo várias crianças que se refugiaram em cima do teto da escola do lado de São Caetano para fugir do alagamento que tomou conta das classes, pátio e etc.
Como nunca tinha visto tal coisa resolvi filmar, muito mais assustado com o acontecimento do que qualquer outra coisa, não pensei em mais nada. Depois desse registro vi que o zelador do meu prédio estava tirando todos os carros da garagem então resolvi descer para ajuda-lo, pois via que tinha muito mais pessoas olhando do que propriamente ajudando... então fiquei por ali ajudando um casal a tirar a água de dentro do carro, e escutei falar que havia um carro que estava submerso na água do outro lado da avenida, e o pior havia uma pessoa dentro... juro que achei que fosse algum exagero daqueles tipos de pessoas que gostam de fazer o "Zé Povinho" colocar pânico, ainda falaram que chamaram o resgate mas não tinha chegado este a tempo de socorrer...
Subi para o meu apartamento e olhei pela janela para ver se via algum sinal do absurdo que me falaram, mas não via nada, então fiquei assistindo tv e vendo o que tinha acontecido na cidade aquele dia. Neste tempo fui olhar pela janela, então vi o teto do carro no meio do águaceiro, pois tinha baixado o nível um pouco... foi nesta altura que chegou a Guarda Civil Metropolitana para retirar as crianças que estavam no teto da escola, o povo que estava do outro lado da avenida (lado de São Paulo) começaram a gritar para os guardas virem socorrer a vítima que estava dentro do carro, e eles vieram até o muro da escola que estava próximo ao carro, e gritaram para o povo que estava do lado de cá:
-Tem gente aqui dentro do carro? - e o povo afirmou.
Neste momento eu já filmava tudo, e até hoje não sei porque fazia aquilo, pois não achava aquela cena tão importante assim, eu nem bem sabia se tinha alguém ali, pois não tinha visto nada até então, filmava por impulso de filmar mais nada...
Os guardas faziam tentativas para abrir o carro e não conseguiam, quebraram vidros e conseguiram finalmente, e neste momento chega um bote do corpo de bombeiros e retiram o corpo do senhor, pude ver que era um idoso pelas lentes da minha câmera... fiquei muito mal... em ter filmado aquilo, não via utilidade nenhuma nisto... parei de filmar neste momento, pois eu tinha esperança ainda de o homem estar vivo, tive até dificuldade para dormir naquela noite, com imagem daquele corpo sendo resgatado...
No outro dia vim trabalhar com a câmera, pois estava fazendo um trabalho de filmagem da empresa para colocar na internet, e por algumas vezes quis apagar tudo que tinha filmado na noite anterior, mas tive a idéia de mandar para algumas rede de tv a informação do que eu havia captado com a câmera e fiz isto... No outro dia pela manhã recebo uma ligação da Rede Globo de Televisão, interessados em ver o conteúdo do que eu havia filmado... falei que sem problemas poderiam vir pegar e que inclusive não iría cobrar nada pela filmagem, fato do qual fui quase crucificado por todos que eu contava que não tinha cobrado nada, mas eu não achava justo com a vida humana cobrar algo que não tinha nenhum valor para mim... depois soube que poderia ter cobrado até R$ 2.000,00 mas tenho certeza que minha vida não iría mudar em nada, eu que sempre admirei televisão, que quis sempre passar para o lado de lá da coisa, não queria fazer desta maneira, se quisessem usar as minhas imagens que fosse de graça, minha conciência ficará mais trânquila quando pensar na família da vítima.
A tarde recebo uma ligação da repórter Patrícia Taufer dizendo que queriam me entrevistar... QUE???!!! como assim?!!! com um frio na barriga e falando como se fosse normal, disse que tudo bem, marcamos naquele dia no meu apartamento.
Cheguei eles estavam já lá... e fomos para o apartamento, chegamos lá vem aquela montanha de perguntas, que é engraçado como uma coisa que se explica fácilmente vira uma estória...
Resultado? Manchete no SPTV 2ª edição daquele dia... e no Bom Dia São Paulo do outro dia e no Bom Dia Brasil, Ana Maria Braga e ainda uma chamada ao vivo com o jornalista Chico Pinheiro no SPTV 1ª que era ao meio-dia, todos vendo minha carinha na tv... recebi uma cassetada de ligações de gente que nem sabia que existia mais... como alguns segundos que apareci na Globo deu tanta repercussão... Ainda dei entrevista para o Diário do Grande ABC... olha foi legal a repercussão e ver meus amigos de longa data querendo falar comigo, não posso ser hipócrita... mas preferia lógico que este homem saísse vivo... ai seria perfeito... abaixo o video com a entrevista...

o Link da Globo com a reportagem:

http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL1050943-16020,00-IMAGENS+EXCLUSIVAS+MOSTRAM+RESGATE+DURANTE+TEMPORAL+EM+SAO+PAULO.html


Olha as imagens abaixo foram feitas por outra pessoa, que filmou antes do carro afundar: